Sou

A minha foto
Portalegre, Portugal
"Sonho que sou alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, E quanto mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho...E não sou nada!..." Florbela Espanca

sábado, 30 de abril de 2011

Obrigada




Coloquei neste blog em Maio de 2010 o meu primeiro post.
Uma brincadeira...(pensava eu)
Estive meses sem voltar aqui e em Janeiro deste ano retomei esta partilha de escritos e sentidos.
Os primeiros comentários e seguidores foram uma surpresa ( beijinho AC e Natural Origin), o que se seguiu uma alegria e fantástica magia.
Tantas amizades descobertas, tantos sonhos viajados aqui e além mar.
Encontrei gente tão boa e a escrever tão bem! Gente de alma e coração maior !
E o mais incrível: muitos deles seguem-me , lêem-me e comentam-me!!!
Obrigada a todos! Tornaram os meus sentidos mais coloridos.
É para vós este selo , este mimo, este beijo.
Um obrigada especial aos meus amigos Helena Figueiredo e Fernando Batista (poetas de imagens) que me facultam generosamente as suas fotos, emprestando um novo brilho às minhas palavras.
A todos : muita  luz, amor  e poesia!

terça-feira, 26 de abril de 2011

As mãos


Imagem retirada da net



Se beberes um dia a luz
que irradia das minhas mãos
Cegarás.
É nelas que carrego
a dor
o sofrimento
a tristeza
a angústia
a insatisfação.
Carrego nelas a minha vida
E os teus olhos não suportarão.
Serão contagiados pelo breu dos meus dias.
Necessitarás então de mãos que te guiem.
Ainda quererás as minhas?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Na Páscoa, com carinho


Recebi este mimo do amigo Runa do blog seguindooescoardotempo, que aconselho vivamente a todos.
Segundo ele "MEME é uma palavra que vem de mimo, gentileza... uma forma de conhecer melhor o nosso amigo blogueiro".

É sempre agradável receber estas demonstrações de afecto. Obrigada Runa!

As regras, para quem as recebe, são as seguintes:




1 - Indicar 10 blogs (ou mais) para o MEME;

2 - Avisar os indicados;

3 - Escrever e postar 10 coisas que você gosta;



Perdoem-me por não cumprir as regras na sua totalidade, mas é para mim muito dificil escolher 10 de entre todos os que generosamente me acompanham, lêem e comentam.
Por isso, este MEME é para todos os que me visitam e acarinham.
É vosso. 



10 coisas de que eu gosto:



1 – O meu filho

2 – A minha família


3 – Escrever

4 – Ler

5 – Viajar ( nem que seja em sonhos)

6 – Cheiro de terra molhada

7 – Ouvir música

8 – Ver um bom filme

9 – Jogar no Facebook ( tenho os meus vícios, também!)

10- Comer camarões grelhados





Aproveito também para desejar a todos uma Santa Páscoa! Que as amêndoas e os ovos de chocolate não adocem demais os nossos dias fazendo-nos esquecer do verdadeiro significado desta quadra.
Um beijinho para todos.
Bem hajam.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ferida

Foto de Fernando Batista


Há palavras que ferem
São cruéis, sangrentas
Abrem chagas no coração.

Mas há silêncios
Que se infiltram no olhar
E percorrem todas as veias
Correendo as células,
atingindo em cheio a alma
E aí magoam muito mais.

domingo, 17 de abril de 2011

Mata (d)os medos


Foto de Fernando Batista
http://olhares.aeiou.pt/febat
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/



Há naquela mata
Uma clareira escura onde ninguém ousa pisar
Até as aves do bosque recusam aí nidificar.
Nesta eira sem luz, sem cor e sem beira
enclausuram-se receios, encerram-se temores,
arrepia-se caminho com celeridade, evitando olhar para trás.
Fareja-se  a clorofila
egocentricamente
abrem-se narinas e alvéolos
para absorver só para si
pequenos flocos de vida que chegam nas asas da manhã.
E se de repente uma chama ateia esta mata?
Terá o nosso sopro solitário força para a extinguir?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O dia em que o meu coração começou a bater fora do peito




Olhar nos teus olhos
É sentir um arco-íris de emoções.
Ver um sorriso teu
É ser atingida por flechas embebidas de amor e gratidão.
Limpar as tuas lágrimas
É guardar preciosas pérolas
Entre os meus dedos.
Receber o teu abraço
É ter o mundo inteiro nas minhas mãos.
Ouvir a tua voz
É degustar a mais doce melodia
de coros angelicais.
Sentir o teu cheiro
É arder em fogueiras de alecrim.
Meu filho!
No dia em que tu nasceste
O coração saiu-me do peito
Mas vê lá bem a ironia
Só aí começou a existir vida em mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Do Fogo que em mim corre

Fui convidada pelo amigo Garibaldi para participar no seu Rosários de Fogo, por isso desta vez poderão encontrar-me em http://versosdefogo.blogspot.com/2011/04/do-fogo-que-em-mim-corre.html
Mais do que um prazer foi uma honra ter sido agraciada com este convite.
Bem hajas Garibaldi pela tua generosidade!

domingo, 10 de abril de 2011

Neva no Inferno


Foto de Leninhaf
http://leninhaf1.reflexosonline.com/
http://olhares.aeiou.pt/leninhafig




Haverá maior inferno que o coração dos homens?
Porque chora quando deve rir
E canta em vez de chorar?
Porque diz sim quando se espera negação?
E é fraco quando barreiras devia  quebrar ?
Ah! Inferno este
Que tudo inflama e queima em redor.
É tormento na Primavera
É vulcão em pleno Verão
Não dando descanso ao corpo fraco
Que o carrega com esgares de dor.
Afinal (e que esquisito)
Também neva no Inferno
e a  culpa é dessa coisa
A que decidiram chamar Amor.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Teia proibida


(imagem retirada da net)


Ficam suspensos os desejos
Como aracnídeos depois de arduamente tecerem suas teias,
Perfeitas abcissas da Natureza.
Espreitam vigilantes à espera de presa
Ansiosos por enredá-la em urdiduras engenhosas de emoção.
Espalham um doce veneno que corrompe as nervuras do ser
Mas...
Engolem-se os anseios,
Deglutem-se com desespero.
O esófago queima à passagem da peçonha.

Estóica, sorri!
Não lhe pertencia aquela maçã.
Resistira.

domingo, 3 de abril de 2011

Há saudade...

Foto de Fernando Batista
http://olhares.aeiou.pt/febat
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/




Espreito à janela da saudade
E vejo nuvens pintadas a negrito.
Inspiro sofregamente!
Há no ar cheiro a terra molhada.
Gotas grossas de água atingem-me o rosto.
Impulsivamente, encerro as vidraças.
(Esquecera-me que não sou imune à batega)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cidade nua

Foto de Fernando Batista
http://olhares.aeiou.pt/febat
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/



A cidade continua nua
As suas vestes rasgaram-se com o rigor dos invernos
E os pedaços de trapo que sobraram desfizeram-se
Sob o ácido do sol nos dias quentes de verão.
Procuro ainda marcas da Primavera que gravavas em cada rua
Mas nada sobejou.
As estátuas permanecem sem vida
à espera do calor do teu olhar...
Nesta cidade me perco
Apenas sentindo o seco estalido
Das folhas que meus pés errantes pisam sem ouvir.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Na noite...

Foto de Leninhaf
http://leninhaf1.reflexosonline.com/
http://olhares.aeiou.pt/leninhafig





Espirais de fumo que se evolam no ar
como medos desfeitos na pressa de ousar.
Entranha-se o cheiro
Na pele, no cabelo
Depurando a alma, num subtil desvelo.
É este o ritual que me chama até ti
É este o sinal que também a tristeza sorri.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Quod facis, fac citius


Foto de Fernando Batista
http://olhares.aeiou.pt/febat
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/


Na hora em que as bocas se unem
No minuto em que as línguas se tocam
O coração pára por um segundo.
Estranhas as sensações sempre novas e sumarentas
Que me invadem numa inaudível explosão.
Os teus olhos têm o brilho de pólvora
E é neles que me perco por tempo indefinido
Até que o rastilho preso entre os teus dedos
De novo se acenda
E o mundo se desfaça
em estilhaços de dor e prazer.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Porque escrevo?

Foto de Fernando Batista
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/
http://olhares.aeiou.pt/febat




Escrevo para expurgar fantasmas
Para matar o medo
e rasgar a dor.

Escrevo para esventrar a saudade
Dissecar o desejo
e enaltecer o amor.

Escrevo para renovar sonhos
Acordar a esperança
e quebrar a solidão.


Escrevo para me depurar
Para acalmar a alma
e pintá-la de novas cores.

Escrevo por mim e para ti!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sob a noite

Foto de Leninhaf
http://olhares.aeiou.pt/leninhafig
http://leninhaf1.reflexosonline.com/


Guardo sob a noite, suas lembranças.
Doces, e tanto,
que me afloram, sonhos, amores,
entre noites...



As estrelas são testemunhas
desta recordação que me invade.
Pois minhas lágrimas atingem-nas
emprestando brilho à luz que delas emana.
E assim permaneço...
Num doce embalo de suspiros
a que só posso chamar saudade.



Pudesse ora, fugir.
Mas tua imagem é forte,
perturba-me, roda sobre a cabeça.
Nem que precise rasgar o tempo,
e fazê-lo retroceder
Apenas para lhe dar um beijo,
Num ensolarado entardecer...




Sandra Subtil e Helio Rocca

terça-feira, 15 de março de 2011

Rumo aos sentidos

Foto de Leninhaf
http://olhares.aeiou.pt/leninhafig
http://leninhaf1.reflexosonline.com/



Caminho trôpega por trilhos agrestes
Na ânsia de chegar
Onde nenhum pássaro ainda ousou fazer ninho.
É esse o meu lugar!
E eu que não tenho bússola
Eu que sou arrastada pela monção
Não desisto.

Vejo o amor a nascente
Pressinto o prazer no ocaso
Mas a paz...

Ah! A paz.
Essa está para além de qualquer direcção
e nenhum mapa a tem assinalada.
Contudo
é ela o meu Norte.

domingo, 13 de março de 2011

Cabra- cega




-Cabra-cega
Cabra-cega
De onde vens?

-Venho do fim do mundo
Onde não chega a luz,
Só a dor!

- Cabra-cega
Cabra -cega
Trazes pão e canela?

-Trago a fome entranhada nas retinas
E o cheiro fétido de corpos moribundos entrosado na minha alma.

-Cabra-cega
Cabra-cega
Quantas voltas te vou dar?

-O meu corpo ainda balança
Na náusea da revolta.
Uma volta que dês
Far-me-á regurgitar o sangue que vi derramar.

- Mas, cabra-cega...
Assim não poderás jogar...

-Pois não. E a culpada és tu, puta de vida!




(Imagem retirada da net)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Nós

Foto de Leninhaf
http://olhares.aeiou.pt/leninhafig
http://leninhaf1.reflexosonline.com/




Dissipa os nós que na garganta me arranham
Para que soltas as palavras possam brotar.
Despedaça os nós que nas falanges me ferem
Para que minhas mãos voem no céu do teu corpo.
Destrói os nós da dura madeira de que sou feita
Para que a seiva possa sem obstáculos escorrer.
Desfaz os nós que me amarram ao cais
e deixa-me ir ao sabor da maré.
Mas nunca, por nada
Dissolvas o Tu e o Eu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Fragilidades




Já não sou a leoa feroz
Que rugia alto e selvagem
Hoje sou gata mansa
Que ronrona baixinho, num sopro.

Já não sou rosa silvestre
Que desbravava o mato espalhando seu aroma
Hoje apenas sou espinho
Seco, duro e traiçoeiro.

Já não sou fogo incandescente
Que inflamava tudo em redor
Hoje sou cinza arrefecida
Poeirenta, inútil e só.

Já não sou a dominadora
Que comandava todas as batalhas
Hoje levanto a bandeira branca
e procuro sempre o último lugar da fila.

Já não sou o rochedo sólido
Imune até à erosão
Hoje sou grão de areia
Que incomoda no sapato.

Já não sou a actriz principal
Que abraçava o palco e recebia aplausos
Hoje sou marioneta esquecida
À espera que me dêem vida.

Vês como tudo se transforma?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pauta Imperfeita



Foto de Fernando Batista





Vi-os por acaso!
Olhava melancólica o horizonte
Pensando no que a vida me roubava.
Tantas coisas por fazer
...E o tempo cada vez mais voraz,
Galgando as fronteiras do limite
e prendendo-me as mãos.

De repente, vi a mancha negra!

Confesso-te que me assustou.
era quase um presságio de morte anunciada.
O seu movimento era compassado
mais que isso tresloucado!
Como miúdos travessos
Num jogo de futebol imaginário.
Iam e vinham numa viagem precisa
Entre sucessões coerentes de sons e silêncios.
Recordei-me quando me dizias:

" Vou compor para ti a mais bela melodia!"

E o bando aproximou-se.
Em frente de mim estagnou.
Cada alma de pássaro se instalou como por magia
Transformando-se em notas pontuadas numa pauta imperfeita
Que defronte da janela havia.
A melodia começou.
Pianíssimo.

Senti-te outra vez dentro de mim.
Afinal mesmo definhando no leito
A promessa fora cumprida.
Tenho a certeza:

Era tua e só para mim aquela invulgar sinfonia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quando...



Quando a alma pede
E o peito se abre
Tu voas em mim!
Por dentro me nutres
Por fora me esculpes
Com tuas asas celestes
Que me gravam na pele
Cheiro a jasmim.




(Foto retirada da net)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Apelo


Foto de Fernando Batista


Quando te disser:
"Sou galho seco,
Flor sem pétalas,
solo infértil"
Não acredites!
Ouve-me ao contrário
E faz brotar a Primavera
Que há em mim adormecida.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Avidez



Lânguida
Nua
Entorpecida
Fixa o lençol amarrotado
Onde preso ficara o prazer.

Nas vidraças da janela
Escorrem ainda gotas de volúpia
e paira no ar uma silenciosa melodia
composta por plangentes gemidos.

Sôfrega suspira:
"Onde foste, tocador de sonhos?
Vem tomar-me em teus braços
E solta na minha pele notas por inventar,
existentes muito para além da escala musical".



(Foto retirada da net) 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Devolve-me a vida




Sou comandado por vozes inaudíveis
Sei que não as ouves.
Só a minha cabeça as sente:
Gritos no silêncio.
olho em redor e nada é igual...
Quero ser o homem que já fui
Mas não sou nada.
Habitam em mim seres monstruosos
que me ordenam e ditam:
" Não és nada!"
E eu obedeço-lhes.
As mãos não as tenho
As pernas não as sinto.
Eu bem as agito
Mas elas não estão lá.
São eles que me fazem mover.
Eles, sempre eles.
Porque entraram em mim?
Porque deixaste que entrassem?
Fura-me os olhos
Abre-me o peito
Arranca-os já!
Eu bem queria estar só
Mas eles estão sempre aqui
Não me largam
Não me deixam
Não se calam
Nem consigo abrir  a boca
Para pedir socorro
(eles coseram-me os lábios)
Por isso é o meu olhar
que grita agora no silêncio e pede:
Devolve-me a vida!




Meu querido irmão, não tenho a cura da tua doença
Só o meu amor para te dar.



( Foto retirada da net)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Jogo in-ofensivo




Gira, rola, rebola
Redonda e colorida.
Gira , rola, rebola
Carregando consigo poeiras e areias
Que se arrastam pela estrada da vida.
O menino sonhador e sorridente,
Jogador inocente
Corre no seu encalço.
Suas pernas finas agitam-se como borboletas esvoaçantes.
Nem o rasgão dos calções
Nem a ferida da pele
O impedem de perseguir seu sonho.
Corre sonhador e sorridente, o jogador inocente.
Gira, rola, rebola
Redonda e colorida, a bola da vida.
De repente:
___________________________________
Eis que embate no betão
E em ricochete
Acerta em cheio nas pernas do inocente jogador.
Tomba o sonhanhor.
As poeiras e as areias tapam-lhe o sorriso.
Agora o rasgão é maior.
E as feridas?
Terão elas sutura?





(Foto retirada da net)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ave do Paraíso





Chega com sua plumagem negra
Tão negra como são meus dias sem ti.
No peito carrega um cobiçado escudo
Que reflecte a luz da madrugada em tons de azul e verde.
Inícia então uma coreografia de acasalamento
Semelhante à dança das nossas almas quando se encontram.
Ela grita, ela move-se nas pontas delicadas de suas patas
Lembrando a suavidade do toque da tua pele
Em cada traço do meu corpo.
Abre sua cauda em leque, transforma-se.
Metamorfose do meu ser
Quando me prendes no rochedo dos teus braços.
Ela entra em transe.
Eu vejo o paraíso.




(Foto retirada da net)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quero...ou sinónimo de impossível

Foto de Leninhaf




Quero
entrar por essa porta que alguém sub-repticiamente abriu e se esqueceu de fechar. 
Quero
Caminhar e sentir no rosto o tempo a escoar,
breve mas intenso, como o é o cantar dos teus olhos.
Quero
trilhar caminhos ainda por inventar
e alcançar o cume da montanha que é o teu corpo
onde me perco para não mais me encontrar.




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Recicla-me os sonhos

                                                           Foto de leninhaf
                                                                    http://olhares.aeiou.pt/leninhafig
                                                                    http://leninhaf1.reflexosonline.com


Recicla-me os sonhos
Tenho-os gastos, inutilizados.
Estão velhos, ultrapassados.
As suas pernas encontram-se entorpecidas e não conseguem mais caminhar.
Estão trémulos como um peregrino exausto, mas sem fé que os alimente.
Recicla-me os sonhos
Tenho-os sem cor, enrugados
Murcharam com o rigor da vida
Estão inertes, indolentes
Mas estão cá...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Desejo (re) inventado


Beijos que se aventuram sem medo
Línguas que se soltam, ávidas.
Carne sob carne num flamejo infinito.
Mergulhas em mim como barco à procura de abrigo
E eu deixo-te entrar, como farol que guia e conduz.
Tuas mãos percorrem meu corpo que se abandona, se entrega e se funde no teu, numa simbiose perfeita.
Baixinho, sussurro:

“ Navega ao sabor da maré…”

E o mar revolta-se rebentando nas rochas, ondas misteriosas de paixão, vestidas de prazer e tecidas de luxúria.







( Foto retirada da net )

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Vida em pontas



Entrou de mansinho com suas sapatilhas de pontas
Levitou pela sala num suave relevé
Trazia nos olhos os lírios dos campos
e nos ombros a leveza das manhãs.
Imponente
Etérea.
Todo o seu corpo era um prolongamento da alma.
Pirouettes, detournés
E a música ecoava na sua pele.
Cabriole, en l'air
e o coração saía do peito.
Fouetté
E os olhos em extâse nada mais viram que o tempo avançar.
Tombée
Era tempo de receber os aplausos.
En arriére
A vida estagnou.


(republicação...)