Sou

A minha foto
Portalegre, Portugal
"Sonho que sou alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, E quanto mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho...E não sou nada!..." Florbela Espanca

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Arco-íris...






Dancers
Ryan Taylor






Acaricia-lhe a nuca esguia
Nela depositando o sal dos seus lábios.
No rosto o brilho de mil flores
E no corpo a melosa humidade do desejo.
Entre doces frémitos de prazer
Solta a língua num bailado delicado.
As mãos entrelaçam-se
Com a força que só a paixão consente
E um arco-íris rompe
Por entre as lágrimas que brotam das entranhas
Destes dois corpos feito um.




domingo, 9 de junho de 2013

Desilusão


Caminhos de Luz – acrilico sobre tela- Alda Maria Maltez
http://aldamaria.wordpress.com/



Há verdades que chegam como bênçãos.
Aliviam o peito  e elevam a alma.
Há outras que trazem consigo o peso de mil dores
e enegrecem o ser, salpicando-o de horror.
A essas chamo desilusão.



quarta-feira, 5 de junho de 2013

E chega um dia que cansa...

Foto de   Fernando Batista                                                                                         http://olhares.aeiou.pt/febat
http://www.fbatistaphoto.smugmug.com/




E chega um dia que cansa.
E chega um dia que basta.
Olhas-te ao espelho e já não te reconheces.
O que deixaste que fizessem de ti?
O que fizeste de ti?
Os minutos, as horas ardem com sofreguidão na fogueira dos dias.
E nesse correr veloz e inexorável
perdeste o teu vigor.
A tua essência.
Deixaste-te moldar por mãos frias e insensíveis.
Perdeste as tuas formas originais,
delicadas, suaves, tão tuas.
Mas tem um dia  que cansa.
Cansa ser marioneta do destino, da sorte ou do azar. Da vida.
E nesse dia: chega!
O barro estala. Parte. Estilhaça!
Ainda irás a tempo de reconstruir a tua história?




domingo, 2 de junho de 2013

Aqui se inquietam os meus olhos





Imagem retirada da net



Aqui se inquietam os meus olhos.
Neste quarto vazio
Feridos pela escuridão dos dias.
Magoados pela luz de sonhos mutilados.
Aqui se inquietam os meus olhos
Nestas paredes nuas,
pintadas a  sangue vivo.
Olhos gastos,
ardentes, lacrimejantes
sem cor definida.
Sem brilho.
Aqui se inquietam os meus olhos
neste labirinto pardacento
que é a vida.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Podes um dia ...


Foto de Christoffer Relander 




Podes um dia
Ser muralha
Ser pedra
Ser betão.
Podes um dia
Ser brisa
Ser vento
Ser canção.
Podes um dia
Ser berço
Ser fogo
Ser abraço.
Podes.
Basta acreditar!





sábado, 25 de maio de 2013

Perdão...









Foto de © Attila Kozó








Peço perdão.

Pelas palavras não ditas.
Pelos olhares não trocados.
Pelos beijos não dados.
Peço perdão.

Pelos abraços contidos.
Pelas carícias aprisionadas.
Pelos desejos amordaçados.
Peço perdão.

Por ter sido fraca.
Cobarde.
Por não arriscar.
Peço perdão.

Por não te deixar amar.
Por viver nesta ostra que criei
E que com laços de seda fechei.
Peço perdão.

Desvio os olhos do espelho...
Não!
Jamais me conseguirei perdoar.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Primavera...




Dima Dmitriev _Open ArtGroup






Flores que cantam suaves melodias
Aves que adoçam as mornas manhãs.
Brisa que perfuma as ruelas dos dias.
É a vida que vibra, palpitante
Mal a noite morre no céu
E os lábios do tempo desenham na aurora
um sorriso contagiante, com  cheiro a magia e sabor a romã.





quinta-feira, 16 de maio de 2013

Nús, os teus braços.






Nos Braços de Morfeu,  Willian E. Reynolds-Stephens (1894).






Céu maior este que hoje me enfeita
É tecido a ponto luz
e perfumado de jasmim.
Mãos hábeis o urdiram
Numa inspiração sem fim.
As aves debicam suas linhas
frágeis, sedosas e coloridas.
Entrelaçam-nas com o zelo
De quem lambe as suas feridas.
Olho-te.
Nús, os  teus braços.

E aí se desfaz em retalhos
A manta celeste que me cobre.




domingo, 12 de maio de 2013

Urgências de manhãs claras...



Foto de Karin Rosenthal 





Desvendas os segredos da minha pele molhada
com a mesma urgência que a manhã suspira por vida.
Lês nos meus lábios os silêncios da madrugada
E calas nos meus olhos a angústia dos dias vazios.
Entrego-me com a certeza que nunca
[como agora]
o mundo tão bem coube nas nossas mãos.





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Deixa-me partir...







Foto de Abe Frajndlich









Já um dia te pedi que me deixes partir.
Estou melhor longe de mim.
As mágoas afogam-me.
Roubam-me o ar.
Sinto-me asfixiar num corpo que não é meu.
Porque vim ter aqui?
Porque me prendes com o teu olhar?
Deixa-me ir.
Levar comigo estas sombras que me enchem os dias
E dão luz às minhas noites.
Deixa-me partir.
Pôr fim aos frémitos de dor que perpassam o meu ser.
Não me olhes.
Não me dês um motivo para ficar .
Preciso de ir.
Cerrar os olhos.
Enfim repousar.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tu e Eu...



Imagem retirada da net



As mãos
[as tuas]
Os braços
[os meus]
Procurando amparo
Suspirando ninho.
As mãos
[as minhas]
Os braços
[os teus]
Num encaixe perfeito
Côncavo e convexo
da paixão
do amor
da vida.
Assim, enlaçados
Tu e Eu.




domingo, 28 de abril de 2013

Eu sem ti...







Foto de Arno Rafael Minkkinen






Como barco à deriva no mar
Assim erro eu sem tua mão que me guie, teu braço que me apoie
E a tua boca que me beije.




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Aqui há poetas...





É já no sábado que decorrerá a apresentação da antologia "Poesia Sem Gavetas" editada pela Pastelaria Estudios Editora e na qual participo com 3 poemas.

Aqui fica um dos seleccionados.



Janela 


Lembro-me bem como gostavas daquela janela.
Virada para o mar,
pintada de azul,
abraçava a tua vista e afagava-te a memória.
Mal os primeiros raios de sol beijavam os lábios do dia,lá ias tu,
ligeiro,
pousar os teus sonhos no parapeito de madeira já seca.
O rebentar das ondas embalava-te as lembranças,
o cheiro da maresia perfumava-te os sentidos e invadia o quarto.
Depois voltavas.
Revigorado.
Sorrindo.
Sempre.
Delicadamente depositavas um beijo salgado na minha boca
e nesse doce despertar eu me entregava,
aconchegando-me nas conchas dos teus braços,
procurando as pérolas que sempre guardavas para mim.
E a janela permanecia aberta, trazendo até nós
os gritos de liberdade das gaivotas.
Mas naquele dia não te levantaste.
Adormeceste asfixiado pela escuridão da noite.
E a janela de que tanto gostavas não mais se abriu.
As persianas cerraram-se
e choram até hoje a tua ausência.






domingo, 21 de abril de 2013

Trilhos da vida





Foto de Miguel Caamano Jara





Caminho trôpega por trilhos agrestes
Na ânsia de chegar
Onde nenhum pássaro ainda ousou fazer ninho.
É esse o meu lugar!
E eu que não tenho bússola
Eu que sou arrastada pela monção
Não desisto.

Vejo o amor a nascente
Pressinto o prazer no ocaso
Mas a paz...

Ah! A paz.
Essa está para além de qualquer direcção
e nenhum mapa a tem assinalada.
Contudo 
é ela o meu Norte







quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quiçá...

Imagem retirada da net





Quando a tristeza é profunda
Não feches a porta, abre uma janela!
Quiçá uma pena de andorinha
Entre por ela e se aconchegue a ti,
Trazendo consigo os cânticos frescos da primavera em flor.





sexta-feira, 12 de abril de 2013

Mundo ao contrário...

Foto de Alberto Korda



O chão se fez céu das aves e o espaço virou terra firme dos homens.
Nada é como me contaste.
Como sonhei, sentada nos teus joelhos, 
vendo o mundo passar em tiras coloridas 
onde o azul brilhava mais forte que o sol que sempre trazias nos lábios.
Nada é como as histórias que me ensinaste,
como a magia que te saltava dos olhos
quando me embalavas com doces palavras para eu sonhar.
Vi o mundo ao contrário.
E agora?
Como viver esta realidade sem ti?
Deste-me asas, 
ensinaste-me a voar,
mas não me preparaste para pousar 
e não ter o aconchego dos teus braços onde me aninhar.




Parabéns, onde quer que estejas, Pai!

Faltas-me...






terça-feira, 9 de abril de 2013

Não fales de amor...






Imagem retirada da internet




Não fales de Amor.
Que sabes tu do Amor
Para te atreveres a proferir o seu nome?
Não tens um olhar caloroso que te envolva.
Não tens uns braços ternos que te enlacem.
Não tens um coração meigo que se aconchegue ao teu.
Não tens umas mãos delicadas que acariciem as tuas.
Não tens uns lábios de framboesa que silenciem os teus.
Não tens uma alma que compreenda a tua.
Não tens.
Porque os pássaros ganharam asas,
aprenderam a voar.
Saíram do ninho.
Passam os dias em voos de descoberta e felicidade.
E tu ficaste prisioneiro na gaiola da solidão.
Por isso te digo:
Não ouses falar de Amor.






sábado, 6 de abril de 2013

Jardins da vida...








Desfio com emoção o meu rosário de memórias.
São tantas as recordações que compõem a minha história!
Há um sorriso de saudade que se solta deste viver
e chegam até mim vozes de criança,
sonhos, projetos, olhares sedentos de saber.
Dei de mim tudo o que podia.
Ouvi quando queria gritar
Sorri quando a tristeza me consumia
Acarinhei quando também eu precisava de uma mão.
Ensinei, aprendi, cuidei
Fui pai, mãe, amigo, irmão.
A vontade, a dedicação, a persistência, a vocação
sempre pintaram os dias de amor que doei à educação.
Tudo valeu a pena.
Encerro esta viagem pelas esquinas do tempo.
Espreito pela janela onde o sol ainda me acena.
Sorrio.
Tenho ainda tantas flores à minha espera noutros jardins.




Texto escrito para a sessão de homenagem ao pessoal docente e não docente que se aposentou no Agrupamento Vertical de Ponte de Sor . 
Obrigada à direção do Agrupamento por confiar nas minhas palavras.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Eu...




Imagem retirada da net



Queria ser uma bolha de sabão.
Dessas coloridas e perfumadas que espalham felicidade e risos de criança pelo ar.
Mas depois pensei que a sua passagem é efémera e rebenta num ápice,
deixando marcada nos olhos a desilusão da magia quebrada.
Quis então ser um papagaio de papel;
voar bem alto e planar sob o azul do céu, orientada apenas pelas mãos inocentes de meninos sonhadores.
Mas pensei que nem sempre o vento sopra de feição, 
nem sempre a pipa se eleva no ar, 
nem sempre os fios se deixam comandar.
Decidi então ser só eu.
Não tenho as cores da bolha, nem o perfume do sabão; 
não tenho a leveza do papagaio nem a capacidade de voar,
mas tenho dentro de mim o sonho e a força sem fim de lutar.







terça-feira, 26 de março de 2013

De dentro para fora...


"Lenda do Lis e do Lena" 

Quadro a óleo, cópia do original de Augusto Mota 




Por vezes dói.
Por vezes arranha.
Mas a mágoa deglute-se
E o sorriso brota de fora para dentro.
Engana os olhos de quem passa.
Alegra a boca de quem olha,
mas jamais enganará os braços de quem nos ama.
Ah! A magia de um abraço...
E tudo revigora de dentro para fora.