Sou

A minha foto
Portalegre, Portugal
"Sonho que sou alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, E quanto mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho...E não sou nada!..." Florbela Espanca

sábado, 12 de novembro de 2016

Perdão a ti, Mulher!

Perdão a ti, mulher.
Nunca consegui ver o desespero que morava nos teus olhos.
Nunca fui capaz de ver o cansaço que crescia no teu corpo cada vez que chegavas tarde a casa e ainda assim sorrias para as crianças, as acarinhavas e ouvias com todo o amor que só uma mãe é capaz de (re)inventar.
Perdão a ti, mulher cansada.
Tantas as horas de trabalho e ainda tantas por arder na labuta do lar: lavavas, cozinhavas, limpavas, recolhias a roupa que dormia e gelava à lua e eu não soube ver a angústia que te assolava e consumia. Nem para ti olhava nesse vaivém de carregar compras para que nada nos faltasse.
Perdão a ti, mulher solitária que na azáfama da vida adormecias o cansaço e embalavas a tristeza de te saberes só.
Os meus braços nunca se abriram para te receber.
A minha boca nunca aquecia os teus lábios sequiosos de carinho.
Os meus olhos nunca te agradeceram o sacrifício que fazias pelos que também são meus.
A inércia tomou conta de mim porque sabia que nada me faltaria pois tu estavas ali, mulher cansada, desesperada, solitária, porém mulher.
Perdão a ti, mulher minha que agora vais descansar o teu corpo dorido de falta de amor.
É tarde, eu sei, mas ainda assim deixa-me pedir-te perdão. Por tudo o que não fui e que não soube dar-te.
Descansa em paz, Super Mulher.

domingo, 16 de outubro de 2016

Haverá um dia...








 Foto de


Haverá um dia em que o mar será apenas mar
E a espuma apenas espuma, beijando a areia da praia.
Mas hoje, não!

Hoje o mar é a minha dor,
é a minha revolta,
o meu desencanto.
O marulhar é meu desespero
e a espuma minha esperança
que morre ao tocar a terra.
Haverá um dia
em que tudo será apenas aquilo que é,
mas hoje, não.




Sandra Subtil

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Essa mágoa fez-te mulher...



As lágrimas que sulcaram a tua pele e a lavraram com a aspereza do sal ganham hoje novo sentido.
Essa mágoa, que te apertou o peito e espremeu as entranhas, alimentou a tua luta.
Agarraste com nobreza os pedaços destruídos
e com a delicadeza das flores colaste uma a uma cada peça que restou.
Foste mais forte.
Ouviste a voz da resiliência e venceste.
Essa mágoa fez-te mulher.



Sandra Subtil







 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Quem me dera...

Quem me dera de novo

Aquele abraço apertado.

O calor no peito

Coração descompassado.

Quem me dera de novo

Teus dedos no meu cabelo

Ternas blandícias

No mais doce apelo.
Quem me dera de novo
Pele na pele,
num toque ardente
Palavras suspensas
Entre os beijos da gente.
Quem dera de novo
O mundo na mão
Olhar reluzente
O corpo em paixão.

Hoje nada resta
Só lembrança do que foi
E este querer no sangue
que no mais fundo de mim dói.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Houve um tempo...













Houve um tempo em que me olhavas nos olhos, mergulhavas no verde água e navegavas pelo meu ser até ao mais fundo de mim.
As tuas mãos desviavam suavemente os caracóis negros que insistiam em cobrir-me o rosto e com firmeza prendias as minhas faces e sussurravas nos meus lábios: " És linda! "
Houve um tempo em que percorrias com delicadeza os sinais do meu corpo, esses que te conduziam pelo trilho (in) certo da paixão. Em cada um depositavas o sal do teu beijo e esse condimento temperava o nosso amor.
Houve um tempo em que a fome e a sede não existiam no nosso mundo porque o que tínhamos nos alimentava, saciava e bastava.
Colávamos pele com pele e era tanto o sentir, era tanto o querer que nem sabíamos onde terminava um e começava o outro.
Hoje, olho para trás e não nos reconheço.
Quando foi que nos perdemos?


Sandra Subtil





 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Foram cravos, foi poesia







Foram cravos, amor
Foram rubros os cravos
Que nos teus olhos nasceram
E nos teus braços se aninharam
Que os teus medos venceram
E a censura derrubaram.
Naquela clara manhã
O cinzento se dissipou
E no corpo,
Nos olhos,
Nos lábios
Nova cor emergiu.
E o povo na rua cantou
E o povo na rua sorriu.



Sandra Subtil  


 

sábado, 16 de abril de 2016

Preciso acreditar...









Arranca-me do peito esta dor,
este aperto,
este desassossego.
Deixa-me aninhar-me em teu colo
Voltar aos dias em que nada sabia da vida
Em que nada sabia do que é sofrer.
Passa-me a mão pelo cabelo
Canta-me uma canção de embalar.
Manda o papão embora
Para eu poder descansar.
Diz baixinho:
" Tudo vai dar certo".
Diz.

Preciso acreditar.


Sandra Subtil



segunda-feira, 28 de março de 2016

Amor...





Da janela vejo a lua
Da janela vejo o mar.
Da janela vejo o mundo
Vejo a vida a passar.

Na janela tenho rosas
Tenho cravos e jasmins.
Tenho o perfume das flores
Tenho as cores dos jardins.

Na janela pousam aves
Borboletas multicores.
Segredos, mentiras, verdades
Na janela espero amores.

Que seria de uma casa
Que janelas não tivesse?
Que seria de uma vida
Que amor não sentisse?

Por isso abro os braços à vida
Abro as janelas de par em par.
E o sol e o amor, de mansinho
Meu coração vêm beijar.

E esse beijo dado assim
De inefável maneira
Faz nascer em mim
A emoção mais verdadeira.

Amor, amor, amor.





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Pele...









Na pele a luz
Na pele o toque
Na pele o desejo
Na pele o arrepio
Na pele o prazer
Na pele o calor.
Em mim desaguas como rio
E na pele a paixão
Na pele o amor
Na pele a emoção
Na pele húmida, nua
Na minha pele, na pele tua.



Sandra Subtil



sábado, 28 de novembro de 2015

Se não podes ser meu...



Que se calem as guitarras
Que não trinem os rouxinóis
Que o sol adormeça
Em negros lençóis.
Que murchem os lírios
Se apaguem as estrelas do céu
Que tudo chore, tudo morra
Se não podes ser meu.








domingo, 15 de novembro de 2015

O teu silêncio...




Fere-me o teu silêncio. 
Mais do que palavras cruéis, amargas ou nuas de sentido e sentimento.
Magoa-me o grito do teu silêncio. 
O som dos teus lábios cerrados fura-me as entranhas.
Este vazio de ti enche-me a alma de tristeza.
Perdemo-nos no mesmo espaço. 
Criámos um labirinto mudo entre nós e esquecemo-nos de traçar a saída. 
Às vezes a minha angústia jorra pelos olhos e desenha-se em todo o meu corpo, pincelando-o de tensão e automatismo. Mas tu, preso no silêncio que até a visão te tolda, nada percebes e continuas ausente de ti (em mim). 
E o muro cresce.
Não deixa espaço às flores.
E eu volto a pegar no papel e escrevo um conto de fadas só para mim.

sábado, 17 de outubro de 2015

folha...





Como uma folha que se solta com o vento
Assim danço eu pelos caminhos da vida.
Rodopio na névoa das manhãs,
na brisa dos dias,
na aragem das noites.
Inquieta;
periclitante,
receando a forma como vou aterrar.
Que seja leve!

sábado, 26 de setembro de 2015

Vida Sentida...



Triste fado que no salão ecoa.

Pungente, dolente,

onde o sentimento povoa.

Canta as tristezas da vida

As paixões perdidas

As saudades que matam.

Dá voz às mágoas vividas

Aos sonhos desfeitos

Aos amores que passam.



E na garganta fenece

a dor no peito nascida.

E o salão chora

a vida assim sentida.




quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lua...





Lua azul hoje à noite, só volta a acontecer em 2015





Queria contar às estrelas o quanto sou feliz
Mas tenho medo da lua.
Dizem que é falsa….traiçoeira….
Cortará ela em quartos a minha felicidade?

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Até que o Amor o queira...




Nos sulcos do tempo,
nos gomos da vida te encontrei
e não mais te quis perder.
Agarrei tua alma,
enlacei-a com cordas de emoção
e não mais te deixei partir.

Até que o amor o queira.
Até que a vida o permita.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

De ti apenas quero...

Fecho os olhos .
Ouço o silêncio gritando
em gotas pendentes
nos beirais dos teus olhos.
Sinto-o no mais fundo de mim
como punhais que rasgam a pele.
Daria tudo para não o sentir.
Daria o mundo para não o ouvir.

De ti quero apenas o sorriso
que ilumina o dia,
que afugenta as sombras,
que dá cor à vida
e voz ao mar.
de ti quero apenas o teu sorriso.
E é já tanto, meu amor...


Sandra Subtil, in entre o sonho e o sono, vol. V

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A (t) raça dos sonhos...




Foto de Amanda Cass





Fechaste a porta com violência
Soltou-se o pó em partículas.

Nada voltará a ser como antes.
Levaste contigo os sonhos que não vivi.

Rebusco em todas as gavetas
Em todos os cantos de mim
Talvez algum tenha ficado perdido,
esquecido,
escondido entre gotas de esperança.
Fotos antigas
Dores amadurecidas
Saudades novas
Foi apenas o que encontrei.
Dos sonhos nem rasto…
Apenas o cheiro acre a naftalina.




domingo, 7 de dezembro de 2014

Amanheces em mim...





Amanheces em mim
quando os teus lábios roçam
o calor meloso da minha pele.
Quando os teus braços prendem
os meus medos e anseios
e as tuas mãos os libertam
na fogueira da paixão.
Amanheces em mim
quando o teu olhar se perde
nas colinas dos meus seios
E os teus dedos agitam
o mar de anémonas dos meus cabelos.
E nessa manhã de esplendor
tudo brilha, tudo é sol
tudo respira e revigora,
tudo grita o nosso amor.









sábado, 29 de novembro de 2014

Nascem flores no meu peito...






                                                                   Imagem retirada da net




Nascem flores no meu peito
Sempre que o teu olhar me toca
E os teus lábios aquecem
O alvo gelo da minha pele.
São rosas, tulipas,
Lírios, jasmins.
São cravos,amores perfeitos
Verdadeiros e coloridos jardins.
Nascem flores no meu peito
E a vida germina,
desabrocha,
floresce
A vida perfuma,
o Amor acontece.



Sandra Subtil







quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Leva-me para longe...

Leva-me para longe
Para lá destes campos de desencanto
onde a mágoa se deglute a cada dia
e nos definha por dentro.
Leva-me para longe
Para além das montanhas da desilusão
que nos tolhe os sonhos
e ceifa a alegria de viver.
Leva-me para longe
para um campo pintado de papoilas,
gritando ao vento
que são pássaros em voo rasante,
são sangue e terra
seiva e suor.
Leva-me para longe
para esse mundo de alegrias e esperanças
que eu sei que existe
muito embora não o consiga ( ainda) vislumbrar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ciclo de vida...






Imagem retirada da net





Passa a mão pelo cabelo 
Olha soturna o espelho
(como sempre)

Os traços refletidos são disformes.
Linhas curvas sulcam-lhe o rosto
Onde também estão tatuadas a dor e a luta.
Tenta sorrir mas a luz não invade o seu olhar
(como sempre)

Passa água pelas faces,
Fecha os olhos, absorvendo a sua frescura.
Esfrega o sabonete com um vigor que desconhece possuir.
A espuma adocica-lhe a pele.
Inspira  fundo.
(como sempre)

Está pronta  
(por fora)
 para um novo dia, repleto de velhos gestos.
Está seca 
(por dentro) 
das novas bofetadas da vida.




quarta-feira, 9 de abril de 2014

Recebi mais do que dei...







Foste chão quando precisei de terra firme
Foste nuvem quando o céu era o meu destino.
Foste abraço quando o desespero me assolou
Foste farol quando perdida me encontrei.
Foste mel quando a vida me amargurou
Foste ombro quando em lágrimas me lavei.
Foste estrela quando a escuridão me inundou
Foste fogo quando o frio me enregelou.
...
Sim, eu sei
Recebi mais do que dei.
E é essa absoluta certeza
que me gela por dentro
e se torna hoje, a minha maior fraqueza.





Sandra Subtil






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

In memoriam...



Há dias que são noite dentro de nós.
Noites densas, sem luar,
Sem o fulgor das estrelas,
sem o brilho do teu olhar.
Nesses dias é a tua voz que ouço:
arrastada, sofrida, gasta.
É a tua mão que vislumbro,
estendida
num esforço sentido de agarrar a vida,
essa mesma que fugia por entre cada gemido que exalavas.
Mas serão sempre os teus olhos que me preencherão as lembranças.
Olhos de corça perseguida pelo mais implacável predador.
Olhos suplicantes, sem voz,
mas que gritavam no mais fundo de cada um de nós.
São eles que me perseguem dia e noite.
Nos dias que são noite dentro de mim
e nas noites que passaram a ser dia
porque estão cheios de ti e
do vazio e da tua ausência.




Para ti, Lourdes.
...mais de um mês na escuridão dos dias...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

offline..........





Caros amigos
A minha vida pessoal e profissional não me permite de momento dar a devida atenção a este espaço, nem visitar os amigos da forma que merecem.
Perdoem-me a ausência, o silêncio.
Nem sempre a vida decorre como planeamos. Os imprevistos surgem e roubam  pedacinhos de nós: energia, motivação, inspiração, alento...
Vou ausentar-me da blogosfera por tempo indeterminado.É  de coração apertadinho que o faço, mas tem que ser.
A cada um de vós deixo um abraço sentido.
Até já...







quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Do tempo...




Imagem retirada da net





Doridas as horas em que repouso o cansaço dos dias cinzentos.
Perecíveis os minutos em que embalo os meus sonhos rosa.
Benditos todos os segundos em que os teus lábios,
Poesia,
tocam os meus negros sentidos .




domingo, 8 de setembro de 2013

Coleccionadora de palavras...





Foto retirada da net




Guardo em mim
Mil e uma palavras sussurradas.
Foram sopradas em noites quentes de inverno
Quando olhávamos as labaredas de um fogo
que só em nós existia e queimava.
Enchiam-me os ouvidos, quase transbordavam e se perdiam.
Tive então que deixá-las escorrer no papel
Antes que alguém resgatasse esses sopros que eram só meus.
Desde aí sinto em mim
Uma avalanche de emoções.
Fecho os olhos.
Selo os lábios.
Amarro as mãos.
Não as quero perder.
São minhas, só  para mim
Vou guardá-las sempre
bem juntinho ao coração.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Vibrato...

Imagem retirada da internet




Chamaste-me baixinho
Num sopro sussurrado entre sílabas quentes de paixão.
Estremeci.
A tua voz ancorou no meu peito e aí se aninhou
Procurando o calor húmido da minha pele
E o vibrato compassado do meu coração.
Ah….Não há melodia mais bela
Que aquela composta pela fonética do amor 
E afinada pelas cordas da emoção.


Sandra Subtil 

in Erotismus, Impulsos e Apelos





quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Madrigais...




Imagem retirada da internet






Ah! Os madrigais que se escondem nos teus olhos...
Papoilas salpicando searas de brisa!
São eles que me embalam
Como mãos de terna mãe
Nas noites em que os pássaros 
choram, choram
E o seu gemido dorido
Não me permite serenar.
Vozes de vento norte que se calam em mim
Quando decifro as suas rimas.
Verbos que se conjungam no imperativo,
Fazendo do agora 
Um presente mais do que perfeito.
Meu Amor!
Como amo ler essa poesia!







terça-feira, 13 de agosto de 2013

Imagem retirada da internet




Um anjo desceu da eternidade
Galgou escarpas bravias
E pousou docemente no teu leito.
Suaves as mãos com que te acariciou
Ternos os olhos com que te beijou.
No teu peito descansou a face éterea
E cheirou-te mansamente os cabelos.
Sentiu a tua energia e carregou-a em suas asas.
Inspirou a tua força e ganhou balanço para o voo de regresso ao limbo.
Levava um pouco de ti.
Isso lhe bastava para prosseguir a caminhada.





quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quod facis, fac citius

Imagem retirada da net




Na hora em que as bocas se unem
No minuto em que as línguas se tocam
O coração pára por um segundo.
Estranhas as sensações sempre novas e sumarentas
Que me invadem numa inaudível explosão.
Os teus olhos têm o brilho de pólvora
E é neles que me perco por tempo indefinido
Até que o rastilho preso entre os teus dedos
De novo se acenda
E o mundo se desfaça
em estilhaços de dor e prazer.


in Erotismus, Impulsos e Apelos